VALORIZANDO A VIDA
Passamos por tantos maus pedaços.
Vou contar uma experiência terrível que passei estes
tempos.
Algo assustador e por fim consegui alcançar a vitória.
Bem, eu tinha algumas “pintas” e procurei um médico.
Uma pequenina que me apareceu entre os dedos do pé,
outra no nariz e um cisto sebáceo, o especialista me aconselhou a retirar.
A do pé, ele falou que poderia ser uma ameaça.
O lugarzinho era chato. Ele retirou, mandou para fazer
a biópsia e graças a Deus nada foi constatado.
Segunda etapa... Acertei tudo para retirar a pinta do
nariz, esta mais por estética.
Neste meio tempo notei que uma pinta nova havia
aparecido na minha região lombar.
A pinta coçava e ardia.
Contei ao médico e ele olhou-a comentando que
deveríamos observá-la um pouco mais enquanto aguardamos a retirada da que tinha
no nariz.
O que precisava ser feito foi. Dolorido, chatinho. Só
quem já tomou anestesia na ponta do nariz pode avaliar o quanto é desagradável.
Tudo correu bem e no material examinado nada foi
encontrado. Respirei aliviada mais uma vez.
Hora de retirar o cisto e como a pinta crescesse demais
e de uma forma indefinida era preocupante. O médico sabia e eu também.
Foi marcada a pequena cirurgia e neste meio tempo
problemas pessoas me impediram que fizesse com a rapidez necessária. Por duas
vezes foi tudo adiado.
Um dia deu certo e mais uma vez o material foi
encaminhado para exame.
Como eu deveria retirar os pontos numa quinta feira
pela manhã, na quarta à tarde fui buscar o resultado que já estava pronto.
Não resisti e abri o envelope.
Vi lá melanona maligno. Meu coração gelou.
Estava com câncer de pele e um dos bem ruins.
Quando fui retirar os pontos o doutor Victor já sabia.
Ele havia ligado para saber de meu exame porque tinha ficado preocupado.
Tivemos uma longa conversa e ele falou que estava me
encaminhando para um outro doutor Victor. Este oncologista.
Nova etapa começava. Os problemas pessoais que me
afetavam tinham tomado proporções maiores e mais uma vez a cirurgia que eu
necessitava para retirar uma margem de segurança ao redor desta lesão que
ficara da retirada da pinta foi adiada uns dias.
O doutor me explicou que um exame seria feito. Pesquisa
de linfos.
Por fim me vi hospitalizada e fazendo o tal exame.
Horrível. O tal linfonodo foi encontrado numa região estranha. Ao lado de minha
mama.
Bem, a pinta era na região lombar e ele podia ter se
estendido para aquela região. Ou seria um câncer de mama?
Fui para o centro cirúrgico na manhã seguinte bem cedo
e lá fiquei algumas horas. Anestesia geral. Não vi nada, nadinha.
Quando foi passando o efeito da anestesia tremia como
vara verde e percebi aos poucos que estava com um curativo do lado da mama e um
grande nas costas.
Aquilo doía pra burro.
Não me deixaram descer da cama e fiquei com soro por
trinta horas. Só então pude descer. Neste meio tempo não vi meu médico e não
falei com ele.
Quando entrei no centro cirúrgico já estava dopada e de
nada recordo.
Me intrigava aquele curativo grande e a dor forte. Ele
havia me dito que tiraria uma margem maior para segurança. Mas tanto assim?
Até havia pensado que nem seria necessário ser
hospitalizada.
Fiquei aguardando-o para me dar alta e ele só veio bem
tarde um dia após a cirurgia.
Então ele me explicou que tirara um bom pedaço e que eu
deveria aguardar o resultado da biópsia de novo.
Aí eu gelei porque pela conversa dele percebi que
poderia existir algo mais.
Estaria com câncer de mama? Ainda mais esta?
Tudo doía demais e só quando retiraram o curativo é que
soube que aquela pintinha inocente dera aquele resultado.
Um corte de 15 pontos e amanhã devo retirar metade,
porque na semana passada não deu para retirar tudo.
Eu tinha que ficar aguardando o resultado do exame.
Haveria metástases? Meu seio estaria comprometido? Eu havia feito neste ano
mamografia e nada fora encontrado.
Passei uns dias de cachorro.
Por fim o exame mostrou que não nada fora encontrado.
Pulei no consultório com ponto e tudo.
Material examinado. Um pedaço de carne medindo 7,5 cm X
3,5 cm X 2,5 cm de profundidade. Terrível não? O do linfonodo sentinela 4 cm X
2 cm X 1 cm.
O pesadelo terminou bem...
Vão ficar as marcas das cicatrizes.
As noites que não dormi, as minhas aflições teve alguém
que viu de perto. A pessoa que mais quis poupar na vida. Minha mãe, que
necessitando de minha ajuda estava ao meu lado nestes últimos dois meses. Meus
filhos queridos... minha irmã que é como mãe pra mim...
Muitas vezes não valorizamos o que temos. Muitas vezes
precisamos levar um belo susto para valorizar a nossa vida.
Hoje eu saí para caminhar. Ainda com os pontos eu
caminho um pouco. Mais pra sentir a brisa no rosto e olhar as coisas bonitas
que existem no nosso belo planeta.
Eu poderia deixá-lo bem cedo e não é isto que quero.
Quero viver uns cem anos e escrever muito ainda.
Que susto, meu Deus! Que susto!
sonia delsin


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