quinta-feira, 29 de maio de 2014



E A VIDA SEGUE EM SENTIDO HORÁRIO

Hoje, como habitualmente faço saí para caminhar e pus-me a refletir.
Pensei na vida, nos anos vividos, nas dores que superei, na luta constante, na minha busca.
Nos porquês incompreendidos. Inaceitáveis e por fim entendidos.
Em determinada altura do caminho parei por alguns minutos numa praça e bem no centro dela existe um lago artificial.
Eu me sentei para observá-lo e recordei uma data tão distante. Meu filho caçula era pequenino, arteiro, terrível mesmo.
Ele caiu naquele laguinho.
Recordei o susto que levamos e o seu choro.
Era um dia tão frio aquele.
Tantos anos se passaram e fechei meus olhos.
Parecia estar vendo-o novamente à minha frente totalmente encharcado. A roupinha era linda. Eu caprichava tanto. Gostava de ver meus filhos sempre bem vestidos, bem lindos mesmo.
Hoje em dia posso rir com esta lembrança e com tantas outras porque o tempo passou e trouxe tanta coisa diferente, surpreendente.
O meu inquieto filhinho que me deixava completamente maluca é hoje em dia um intelectual. Um jovem extremamente calmo, centrado.
Costumamos ter longos diálogos e chego a me perguntar em que canto foi parar aquela criança peralta.
Ele não podia me ver por minutos que fosse distanciada dele que se punha a chorar desesperadamente.
Tomei tantos banhos com ele dentro do banheiro. Eu colocava seu carrinho para que ele ficasse próximo a mim ou procurava tomar banho quando ele estava dormindo.
Hoje rio quando recordo estas coisas.
Ele sempre estava ao meu lado. Sempre.
Quando chegou a idade pré-escolar foi terrível. Eu o acompanhava até a escola e ficava lá um tempo. Esperava que se distraísse bastante e então saía de fininho. Meu coração doía quando imaginava que choraria quando percebesse minha ausência. (Sei que muitas pessoas condenariam este meu comportamento).
Na saída eu o aguardava e ele vinha todo contente me encontrar. Era lindo. Deus! Que lindo ele era vindo ao meu encontro correndo daquele jeito.
Aos poucos foi entendendo e aceitando minhas ausências. Foi compreendendo que precisava conviver com outras pessoas além de mim.
Isso tudo recordei a olhar o lago. Meus olhos acompanhavam os peixes que nadavam tranquilamente, mas meu pensamento estava tão longe dali.
Por fim me levantei e pensei que a vida segue sempre em frente. Não voltamos ao ontem por mais bonito e intenso que ele tenha sido.
O hoje está nos oferecendo outros momentos, outras coisas que nosso ser carece.
E temos que viver o presente da melhor forma possível. Temos que viver os momentos com toda a intensidade, exatamente como se fosse o último de nossa vida.
Voltando a caminhar pensei que mais um natal nós tínhamos comemorado.
Esta data não tem mais o mesmo brilho de outrora. Virou consumismo, data de compras, comes e bebes e o espírito natalino parece se perder nas brumas do tempo.
Não sei bem o que se passa no coração dos homens, mas para mim foi Natal. No meu coração é Natal. E a vida segue em sentido horário.


sonia delsin

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