QUEM CASA QUER CASA, QUEM DESCASA TAMBÉM
Eu queria uma casa nova. Uma casa sem lembranças.
Tinham morrido todas as minhas esperanças.
Quem casa precisa de uma casa pra viver e quem descasa
precisa de uma que o ajude a esquecer.
Era o que eu pensava.
Mas tinha já um lugar para morar. A casa que ficará pra
meus filhos quando eu morrer.
O que eu podia fazer?
Botei pra vender.
Vieram alguns interessados. Diziam que a casa era
bonita. Mostraram até algum interesse e não voltavam.
Fui ficando, algumas coisas nela mudando.
O tempo foi passando.
Não vendi a casa e hoje ela está mais bonita. Eu a
enfeito, ajeito.
Meus filhos a adoram.
Tem horas que penso que nossas raízes vamos fincando.
Dia destes eu conversava com minha mãe, uma sábia
criatura, e ela me falou.
- Filha, você sabe por que nunca conseguiu vender esta
casa?
Fiquei olhando-a ternamente e ela concluiu.
- Você não vendeu porque minha oração tem mais força
que a sua. Você pedia para que alguém comprasse e eu pedia para que ninguém por
ela se interessasse. Esta casa, minha filha, é o seu lugar no mundo. É uma bela
casa e no fundo, no fundo você gosta muito dela.
Abracei minha mãe dizendo que ela mais uma vez estava
certa.
Onde quer que eu fosse as lembranças iriam comigo.
Só o tempo tem o dom de amenizar as dores e trazer
esquecimento.
Se acontecer de aparecer um ótimo negócio farei. Caso
isso não ocorra vou ficando.
sonia delsin
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