O NINHO DA ROLINHA
Hoje acordei bem cedinho. Isso é comum porque sempre
acordo muito cedo. Antes que o dia nasça já estou de pé.
No meu jardim vi o malabarismo de um beija-flor feliz.
Ele foi de flor em flor e se aproximou do ninho da rolinha.
É sim. Ela construiu um ninho no meu pé de acerola.
Tão mansinha que é, ela nem se importa com minha
aproximação.
Muitas vezes eu chego bem perto, porque gosto de sentir
a vida. Sempre adorei natureza. O contato com ela faz com que eu me sinta viva,
vibrando, carregadinha de energia.
O beija-flor se aproximou muito dela e fiquei
assistindo a cena.
Pensei nas coisas do mundo. Nas pessoas que se importam
tanto com os bens materiais, nas guerras, na ganância, na violência, na
miséria.
Nos sofredores, nos lutadores, nas pessoas desesperadas.
Nos crentes.
Pensei em tanta gente que encontrei no meu caminho.
Tantos acontecimentos. Tantos momentos.
Aqueles dois pássaros encheram a minha manhã de
alegria.
Os olhinhos tão lindos da rolinha e o voo do colibri.
Eu me aproximei para apanhar umas frutinhas
vermelhinhas e ela não se importou comigo. Nem ligou mesmo e olha que apanhei
uma bem pertinho de seu ninho! Quase a toquei. Esta é uma das coisas que sempre
amei fazer, encostar o dedo suavemente num pássaro. Um simples roçar.
O beija-flor também não se afastou. Continuou a voar
contente por entre as flores.
Choveu nesta noite e a natureza está agradecida.
Antes de deixar o meu jardim eu dei graças a uma força
maior que move a nossa vida.
E pensei que basta tão pouco para nos fazer feliz. Tão
pouco. Quase nada.
sonia delsin


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