MANDIOCA, LEITE E AÇÚCAR
Tem coisas que não dá pra
esquecer.
Pai, você era uma figura!
Era uma coisa mais pura.
Tão autêntico, tão seu Mário!
Nosso querido italianinho.
Quando ia dando nove horas você
pedia pra minha mãe cozinhar um pouco de mandioca e mal ela ficava pronta já
queria comer.
Então a nossa querida D. Lina
preparava um “pratão” com leite e açúcar de montão.
Você se deliciava.
Eu ficava olhando e me
perguntava: será que é bom?
Um dia provei e gostei.
Você era o que era. Sem
adornos. Era um homem simples que amava natureza. Como um menino se encantava
com a beleza.
Hoje bateu uma saudade.
Cozinhei mandioca e fiquei pensando naqueles tempos.
Pensei que você também era um
poeta. Não um homem das letras. Não escrevia, nem lia, mas como se comovia!
E falava. Discursava sobre a
beleza das flores. Dizia que tudo tinha uma ciência.
Você não tinha paciência. Era
nervoso, inquieto. Queria tudo correto.
Mas o homem agitado que era se
deitava para observar o desenvolvimento de uma caixa de marimbondo. E falava
das teias de aranha... me contava dos veios da terra. Mostrava-me os laranjais
floridos e os cafezais. Falava dos animais.
Tantas vezes sob as murtas nós
ficamos a conversar. Eram longas conversas que me punham a refletir.
Pai, você enfeitou tanto o meu
existir.
Um dia você partiu e isto tinha
que ser nos meus braços.
Você se foi como quem quer
ficar e disso eu vou sempre me lembrar.
Eu senti o quanto lhe doía me
deixar.
Suas últimas palavras no meu
ouvido sempre vão ressoar.
Até o último instante de amor e
compaixão você quis me falar. Parecia que você já sabia os caminhos que eu
ainda ia pisar.
sonia delsin

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