OS QUE PARTEM... E OS
QUE FICAM
A vida vai aos poucos
nos mostrando quem são os nossos verdadeiros amigos.
Nas horas difíceis é
que eles têm a oportunidade de nos mostrar o quanto nos querem bem.
Aquela história da ave
de arribação... sempre em busca de tempo bom.
Meu coração guarda os
que ficaram ao meu lado nas horas duras e os que se afastaram a própria vida
vai nos encarregando de nos esquecermos deles.
Era pouco mais que uma
menina e me vi presa a uma cama... uma de minhas amiguinhas da escola vinha
todo dia me ver.
Ela chegava e
quietamente se sentava ao meu lado...
O que ela me oferecia?
Palavras consoladoras ela nem conhecia ainda aos quinze anos, mas oferecia o
seu silêncio muitas vezes, ou conversas descontraídas que a nada levavam e a
tudo.
Através dela eu sabia
um pouco do mundo que me fora tirado.
Neste tempo eu me
revoltava ainda com Ele... o Pai tinha me abandonado... negra era minha sorte.
Não seria melhor a morte?
Quase não sorria para
as pessoas que chegavam. A maior parte do tempo trazia no semblante a dor que não
me deixava.
Mas aos pouquinhos,
anjos foram colocados no meu caminho, para me mostrar o quanto estava enganada
a respeito de tanta coisa e o sorriso voltou ao meu rosto... a esperança chegou
de novo.
Pequenos sinais
apareciam no dia-a-dia e os eu crescia na horizontal, porque me vi privada de
viver na vertical como um ser humano normal.
Cama, cirurgias,
medicamentos, solidão... e eu tinha quinze anos.
Queria me levantar
daquela cama, queria deixar uma cadeira de rodas e andar com minhas pernas,
correr atrás de bolas; subir em árvores de novo; queria dançar; correr; pular;
nadar; namorar. Era a idade para isso.
Um dia eu venci esta
batalha. Levou um bom tempo. Os dias que passei precisavam ser apagados e aos
poucos foram. O que ficaram foram as marcas maiores. Da dor e da vitória.
Muitas vezes me vi em
situações semelhantes àquela, muitas vezes precisei experimentar de novo a
chegada e a partida de “amigos” na minha vida.
Os que ficaram... eu os
guardo n’alma. Não importa se faz anos que não os vejo mais, se já partiram
para o além... eles permanecem em mim. Estão enraizados em meu ser.
Os que partiram...
estes acabaram caindo no esquecimento.
sonia delsin


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