quinta-feira, 29 de maio de 2014



OS QUE PARTEM... E OS QUE FICAM

A vida vai aos poucos nos mostrando quem são os nossos verdadeiros amigos.
Nas horas difíceis é que eles têm a oportunidade de nos mostrar o quanto nos querem bem.
Aquela história da ave de arribação... sempre em busca de tempo bom.
Meu coração guarda os que ficaram ao meu lado nas horas duras e os que se afastaram a própria vida vai nos encarregando de nos esquecermos deles.
Era pouco mais que uma menina e me vi presa a uma cama... uma de minhas amiguinhas da escola vinha todo dia me ver.
Ela chegava e quietamente se sentava ao meu lado...
O que ela me oferecia? Palavras consoladoras ela nem conhecia ainda aos quinze anos, mas oferecia o seu silêncio muitas vezes, ou conversas descontraídas que a nada levavam e a tudo.
Através dela eu sabia um pouco do mundo que me fora tirado.
Neste tempo eu me revoltava ainda com Ele... o Pai tinha me abandonado... negra era minha sorte. Não seria melhor a morte?
Quase não sorria para as pessoas que chegavam. A maior parte do tempo trazia no semblante a dor que não me deixava.
Mas aos pouquinhos, anjos foram colocados no meu caminho, para me mostrar o quanto estava enganada a respeito de tanta coisa e o sorriso voltou ao meu rosto... a esperança chegou de novo.
Pequenos sinais apareciam no dia-a-dia e os eu crescia na horizontal, porque me vi privada de viver na vertical como um ser humano normal.
Cama, cirurgias, medicamentos, solidão... e eu tinha quinze anos.
Queria me levantar daquela cama, queria deixar uma cadeira de rodas e andar com minhas pernas, correr atrás de bolas; subir em árvores de novo; queria dançar; correr; pular; nadar; namorar. Era a idade para isso. 
Um dia eu venci esta batalha. Levou um bom tempo. Os dias que passei precisavam ser apagados e aos poucos foram. O que ficaram foram as marcas maiores. Da dor e da vitória.
Muitas vezes me vi em situações semelhantes àquela, muitas vezes precisei experimentar de novo a chegada e a partida de “amigos” na minha vida.
Os que ficaram... eu os guardo n’alma. Não importa se faz anos que não os vejo mais, se já partiram para o além... eles permanecem em mim. Estão enraizados em meu ser.
Os que partiram... estes acabaram caindo no esquecimento.


sonia delsin

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