quinta-feira, 29 de maio de 2014



A BELEZA DURA TÃO POUCO... MAS É ETERNA

Quando eu era bem pequenina adorava vaga-lumes. Via-os a voar e os queria em minhas mãos. Queria o seu brilho só pra mim e os pegava. Em caixinha de fósforos guardava. Colocava uns gravetos podres para que se alimentassem. Na minha fantasia eles se alimentavam dos gravetos, e pingava gotas d’água sobre os pedacinhos de pau para que não morressem de sede.
Eles acabavam morrendo...
As cigarras também me encantavam e subia nas árvores mais altas para buscá-las. Ia de mansinho como uma fera selvagem. Meus movimentos na árvore eram semelhantes aos dos felinos. Quando me aproximava o suficiente eu fechava a mão em concha e as pegava.
Muitas vezes somente as segurava. Queria que cantassem em minhas mãos. Mas que nada! O bichinho se calava. Ficava num mutismo só.
Outras vezes eu fazia uma maldade maior. Amarrava uma linha bem comprida e lhe dava uma liberdade restrita.
Não fazia por mal, porque na minha mente infantil aquilo era a coisa mais natural do mundo.
Outra coisa que fazia era bulir nos ninhos, pois me agradava demais sentir o calor da vida que estava ali.
Olhava encantada o jardim de minha mãe; os cafezais quando floriam; as laranjeiras; as jabuticabeiras.
Um ipê florido. Deus! Eu queria segurar aquela beleza tão colorida.
Não entendia a transformação da vida.
Aos poucos fui crescendo e assistindo a beleza ressurgindo a cada dia.
Ela é eterna. Não perece jamais. Se o ipê perde suas belas flores, logo virão as sementes que serão jogadas ao vento. Novas árvores, novas flores e novas sementes surgirão.
Hoje ainda tenho fascinação por vaga-lumes, por beija-flores, por bem-te-vis, sabiás. Seus voos, suas luzes, seus cantos me encantam.
Absorvo a beleza da flor e guardo num canto de mim.
Há tantos cantos cheios que há momentos que não me caibo. Pego uma tela, tento colocar ali alguma coisa, e escrevo. Escrevo tanto. Coloco um pouco pra fora o que o me toca e mais coisas entram e vão ficando...
Vou mantendo o equilíbrio assim, absorvendo e fluindo. Vou arrastando pela vida esta minha alma de poeta e sou feliz porque guardo n’alma o amanhecer de hoje, a primeira brisa que tocou minha face. O primeiro canto de ave que ouvi.
Não preciso segurar a beleza. Ó não! Ela vive eternamente ao meu redor e dentro de mim...

sonia delsin

Nenhum comentário:

Postar um comentário