A VENDEDORA DE CUECAS
Esta noite vendo o Jô
Soares me surpreendi com uma velhinha muito simpática que contou com a maior
naturalidade do mundo que ela descobriu para si a galinha dos ovos de ouro.
Isto é só um modo de
falar, porque ela trabalha duro para ganhar o pão de cada dia.
Tem setenta e um anos,
mas aparenta bem menos. Uma graça ela.
Contou que há três anos
sai na noite paulistana para vender cuecas.
Disse que vai a
restaurantes e barzinhos e já fez sua freguesia que aumenta a cada dia. Diz que
é querida e respeitada pela clientela.
Contou que um filho a
auxilia levando-a de carro (uma Brasília), mas que já fez isso de ônibus, o que
era bem difícil, pois tem artrose.
São lições de vida.
Ela até presenteou o Jô
com uma cueca e demonstrou como chega até o cliente dos restaurantes e fez
questão de frisar que pede autorização antes de entrar em qualquer recinto, mas
que nunca a impedem de entrar não.
Ela disse também que
adora o que faz, que adora trabalhar. Mostrou diante das câmeras como são
bonitas as cuecas que vende. Contou quais as cores mais apreciadas pelos
homens, contou que homens acompanhados acatam a opinião da acompanhante.
Adorei o que vi, porque
vejo tantas pessoas na idade dela dizendo que a vida acabou.
Ela só volta altas horas
da madrugada para casa e acha maravilhoso o que está fazendo. Ah, e contou
também que pra ela não existe fins de semana de folga e que não pára de
trabalhar nem nas datas mais festivas. Mas que isso não a incomoda e sente
prazer em fazer o que faz.
Bem, eu apreciei muito
esta reportagem que vi embaixo das cobertas numa noite fria e fiquei pensando
que em noites tão frias quanto esta aquela simpática senhora está trabalhando. Não
pude deixar de pensar nisso.
sonia delsin


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