quinta-feira, 29 de maio de 2014



A VENDEDORA DE CUECAS

Esta noite vendo o Jô Soares me surpreendi com uma velhinha muito simpática que contou com a maior naturalidade do mundo que ela descobriu para si a galinha dos ovos de ouro.
Isto é só um modo de falar, porque ela trabalha duro para ganhar o pão de cada dia.
Tem setenta e um anos, mas aparenta bem menos. Uma graça ela.
Contou que há três anos sai na noite paulistana para vender cuecas.
Disse que vai a restaurantes e barzinhos e já fez sua freguesia que aumenta a cada dia. Diz que é querida e respeitada pela clientela.
Contou que um filho a auxilia levando-a de carro (uma Brasília), mas que já fez isso de ônibus, o que era bem difícil, pois tem artrose.
São lições de vida.
Ela até presenteou o Jô com uma cueca e demonstrou como chega até o cliente dos restaurantes e fez questão de frisar que pede autorização antes de entrar em qualquer recinto, mas que nunca a impedem de entrar não.
Ela disse também que adora o que faz, que adora trabalhar. Mostrou diante das câmeras como são bonitas as cuecas que vende. Contou quais as cores mais apreciadas pelos homens, contou que homens acompanhados acatam a opinião da acompanhante.
Adorei o que vi, porque vejo tantas pessoas na idade dela dizendo que a vida acabou.
Ela só volta altas horas da madrugada para casa e acha maravilhoso o que está fazendo. Ah, e contou também que pra ela não existe fins de semana de folga e que não pára de trabalhar nem nas datas mais festivas. Mas que isso não a incomoda e sente prazer em fazer o que faz.
Bem, eu apreciei muito esta reportagem que vi embaixo das cobertas numa noite fria e fiquei pensando que em noites tão frias quanto esta aquela simpática senhora está trabalhando. Não pude deixar de pensar nisso.

sonia delsin

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