UMA CENA QUE ME TOCOU...
Estava sentada num ponto de
ônibus no centro da cidade. O ponto fica numa praça maravilhosa, em um local
que adoro. Os ipês rosa estavam floridos. Admirava as belas as árvores quando,
ao meu lado, sentou-se um senhor.
Achei que devia ter entre
setenta a setenta e cinco anos. Pode ser que tenha me enganado, mas me pareceu
que ele tivesse esta idade.
O movimento naquela hora do dia
era razoável.
Notei que ele acompanhava o
movimento.
Seguia com os olhos as pessoas
que passavam, os veículos que transitavam e tudo parecia interessá-lo.
Pude sentir a energia que dele
desprendia. Era uma pessoa em sintonia com a vida.
O ônibus que eu devia tomar
estava demorando e fiquei também a observar tudo que me rodeava.
Num determinado momento se
aproximou uma senhora. Também idosa. Devia ter a idade aproximada daquele
senhor a que me referi.
Ela ficou uns minutos em pé em
nossa frente e então ele a chamou pelo nome.
Notei que ela se surpreendeu
quando o viu ali e logo em seguida deu-lhe um abraço muito terno.
Ela se sentou rapidamente ao
seu lado, pois havia um lugar vago no banco.
Fiquei quietinha no meu canto a
olhá-los discretamente e sem intenção de fazê-lo eu os ouvia conversando, já
que estavam tão próximos a mim.
Falavam como dois adolescentes.
Eram namorados!
Aquilo me tocou.
A maneira que se falavam. Havia
uma ternura tão grande entre os dois. Sou maluca por relações afetuosas e não
conseguia desprender minha atenção deles.
Os olhos dos dois velhinhos
estavam guardados numas caixinhas de rugas, mas brilhavam tanto naquele
instante.
As mãos tão enrugadas estavam
tão estreitadas.
Aquilo me tocou tremendamente.
Se eles eram bonitos?
Eram lindos. Creio que traziam
uma mensagem para os descrentes do amor.
Não sei se as pessoas que ali
se encontravam podiam ouvir, mas eu podia jurar que havia um repicar de sinos
naquela hora.
Logo o circular que eu devia
tomar apontou na esquina e eu me levantei para dar o sinal ao motorista.
Confesso que fiquei com pena de
deixá-los, mas parti com o coração mais feliz. Acreditando mais na vida.
sonia delsin
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